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POR QUE DEUS DEIXA A DOR BATER À PORTA?

Admin 1 de março de 2026

José Maria Soares de Carvalho[1]

 

 

Romanos5.3-5

3E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência;

4e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.

5E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado

 

A paz do Senhor, povo de Deus! A seguir, reflito com vocês, sem a menor intenção de esgotar o assunto (óbvio), sobre uma temática muito debatida em todos os cantos: o sofrimento humano. Antes, porém, vale um breve comentário do texto bíblico pórtico (Romanos, 5.3-5), onde o apostolo Paulo nos apresenta uma progressão transformadora que emerge do sofrimento cristão. Observe que Ele nos ensina que a glória nas tribulações não nega o desconforto presente, mas demonstra um dos paradoxos notáveis da fé cristã: a coexistência de alegria com aflição. É um texto que explicita que os servos de Cristo, na orientação do Espírito, transcendem o sofrimento da carne e continuam regozijando-se em meio às aflições. Traduzindo: as adversidades servem para testar a fé e produzem frutos valiosos, aqui exemplificados pela paciência e a experiência. Bom, isso quer dizer que o nosso caráter é provado e aprovado através de um teste, igual a um metal purificado no fogo. Alguém pode até opor-se a isso, mas essa é a realidade bíblica inegociável! Mas, deixemos essa breve exegese, e reflitamos naquilo que propus a meditar com vocês, que é Por que Deus deixa a dor bater à porta? Pense comigo: quantos de nós nunca acordou pela madrugada, sentindo aquele aperto terrível no peito, provocado por uma dor física ou emocional, resultante de um problema enfrentado? Em seguida fazemos uma oração ao Senhor e Lhe indagamos: por quê, meu Senhor? Por que esse caso se arrasta e a solução nunca vem? Algum de vocês já tiveram esses momentos ou conhecem alguém já teve essa sinistra experiência? Aqui para nós: já tive isso e confesso que é agonizante! Se não fosse o conforto da Palavra de Deus, certamente o desespero predominaria. Somente um coração conhecedor da graça de Deus acha equilíbrio em momentos assim. O grande Rei Davi teve experiências dessas e a sua conclusão era que (Salmos 34. 18-20) o Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito. Na sua confiança e a experiência cotidiana compreendeu que as aflições dos homens, inclusive dos servos do Senhor, são muitas, mas o Senhor o livra de todas e que Deus lhe guarda todos os seus ossos; ele ainda foi bem longe nessa convicção afirmando que nem sequer um deles se quebra. Na minha labuta ministerial capelâmica na Polícia Militar do Tocantins e pastoreando há mais de 20 anos algumas comunidades evangélicas, tive momentos dolorosos acompanhando pessoas nos mais diversificados momentos da vida humana, marcados pela dor e pelo sofrimento do luto nas suas multifacetadas manifestações. Confesso que nas primeiras experiências foi muito ruim me sentir impotente e não poder ajudar como queria: pelo menos mitigar a dor humana dos meus irmãos! O aprendizado vem com a convivência com o Espírito Santo de Deus e o aprofundamento nos ensinos da sua Santa Palavra, que nos leva à racionalidade teológica para vermos a realidade do sofrimento como parte da vida na terra. Dores que não são causadas pelo Criador, mas por nós mesmos nas nossas decisões, às vezes desafiando a razoabilidade, e pelo processo natural da existência humana no pós queda de Gênesis 3. Por favor, não pense que estou tentando emplacar o medo e deixar vocês mais confusos, ok? O que desejo é inspirar para que estejamos mais perto de Jesus, o único que transforma dor em esperança eterna.

 

 O sofrimento no plano perfeito de Deus. A Bíblia não foge da dor; ela está à frente e nos mostra que o sofrimento entrou no mundo por causa do pecado, mas Deus o usa para o nosso bem. Paulo nos lembra disso em Romanos 8:28, quando afirma: “E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, aqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Mesmo nas tragédias, o Senhor tece um tapete de superação e redenção, permitindo o refinamento da nossa fé, como ouro no fogo. Em um mundo subjugado pelo orgulho patológico, a ganância pelo enriquecimento fácil, poder e a permissividade é impossível coisas ruins não acontecerem! Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nos disse que o mundo teríamos aflições, mas que mantivéssemos nosso bom ânimo, fundamentando a nossa fé nEle que é a nossa verdadeira Esperança (João 16:33). Portanto, enquanto caminharmos sobre a face deste fascinante Planeta Terra, as lutas serão uma constante, assim como as grandes vitórias para os que esperam em Cristo. Então, às vezes, o sofrimento não é um castigo aleatório, mas uma ponte que Deus construiu para nos levar à dependência total dEle, onde Sua graça transborda e nos faz mais fortes a cada dia.

 

O choro de Jó que virou louvor! Sei que vocês conhecem a história de Jó, um homem justo que perdeu tudo num piscar de olhos: filhos, saúde, bens. Depois de uma sequência de eventos nefastos, restou-lhe as feridas, um caco de telha para se coçar, os amigos para questionar a sua conduta e a esposa para lhe desmotivar a fé no Criador. Duvido que algum de nós tivesse tanta resiliência e fé em Deus para deixar o nome consignado na história como Jó deixou o seu. A bem da verdade, oro para que o Senhor nos ajude a nunca passarmos por tal situação! Mas, observe: em Jó aprendemos que a fé em Cristo é o componente do sucesso, da superação e ressignificação das nossas vidas nos momentos adversos. Sobre Jó, após receber a informação de todos os fatos sobrenaturais que lhe ocorreram, a Bíblia registra o seguinte (Jó 1.20-22):

 

Então Jó se levantou e rasgou seu manto. Depois, raspou a cabeça, prostrou-se com o rosto no chão em adoração e disse: “Saí nu do ventre de minha mãe, e estarei nu quando partir. O Senhor me deu o que eu tinha, e o Senhor o tomou. Louvado seja o nome do Senhor!”. Em tudo isso, Jó não pecou nem culpou a Deus

 

Quanto fé para nos inspirarmos! Vocês conhecem o desfecho dessa história: Deus não explicou cada detalhe da dor, mas restaurou Jó em dobro e lhe deu uma visão mais profunda de Sua soberania. Vejo isso na vida de muitos abnegados servos de Deus no dia a dia da vida pastoral! Pessoas que chegam a perder o que lhe são mais valorosos para elas e, no meio da turbulência declaram que tudo é para a Glória de Cristo! É isso que nos convence cada vez mais de que nem sempre o sofrimento é o fim, mas é o palco, iluminado pelas luzes da Ribalta, a nossa fé em Cristo, onde brilha a Glória de Deus, transformando as cinzas do sofrimento em um espetáculo de redenção e beleza espiritual.

 

É possível transformar a dor em uma ponte de acesso a Cristo. Temo que algum de vocês imaginem que estou “viajando na maionese”, em um delírio religioso ou mesmo sendo um “masoquista espiritual”. Pelo amor de Deus não levem para esse lado, pois só agrava a sua situação, caso esteja sob tensão em razão do sofrimento. Repito: meu objetivo é inspirar a todos ao genuíno exercício de uma fé ativa, viva e determinante no Senhor Jesus, como uma ponte para a superação e felicidade.   Pode ser bem difícil, mas não é impossível transformar o sofrimento em um ponto de encontro com Cristo. Como se faz isso? Bom, não é simples, mas lhes mostrarei um modelo que funcionou, veja (Lucas 15. 17-18):

 

…caindo em si, disse [..] levantar-me-ei, e irei ter com meu pai.

 

Sim, a atitude do filho pródigo! Uma parábola contada pelo Senhor Jesus que vocês conhecem! O garoto caiu em si! A sua situação era vexatória, humilhante, sofrida demais e a culpa era sua (no caso dele, entenda!). A “ficha cai” e ele toma uma atitude: levantar-me-ei. Entendo que nem sempre a força humana é suficiente para levar a uma atitude como a desse garoto, mas, acredite, Jesus fortalece aquele que nEle confia (Fp 4. 13) e, na força dEle (Sl 18. 32) qualquer um pode se levantar! Por fim, o garoto verbalizar e decide continuar agindo: irei ter com o meu pai, ou seja: voltar-se para o Criador, o Supridor, o Médico dos médicos e a Fonte inesgotável de onde emana a graça redentora. A lucidez do problema e mover em direção a Cristo é a saída plausível! Isso começa com oração, reflexão bíblica e a interação congregacional. Lembre-se do que Paulo nos ensina, que devemos (Romanos5.3-5) também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Portanto, hoje é o dia da decisão: entregue-se a Jesus como Senhor e Salvador (se ainda não o fez), clame por salvação! A esperança no Senhor não é uma ilusão, mas uma realidade presente e vivida através da fé diariamente.

 

Deus os abençoe!!!

[1]  Servo de Cristo, Pastor e atual dirigente da IAD – ABV: Congregação do Setor Alto da Boa Vista, em Gurupi/TO.

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